Da UTI ao consultório: A trajetória de Camila Nunes na hipnoterapia clínica

A trajetória profissional de Camila Nunes passou por uma inflexão decisiva em agosto de 2023. Até então consolidada na área de Recursos Humanos, com mais de 12 anos de atuação em desenvolvimento humano na saúde, a profissional enfrentava uma rotina intensa entre deslocamentos diários para a capital paulista, responsabilidades corporativas e especializações acadêmicas. A internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após complicações decorrentes de um cálculo renal que evoluiu para sepse, redefiniu o curso de sua carreira.

Camila Nunes

O quadro clínico foi grave. Camila permaneceu 12 dias na UTI, com risco de falência de órgãos. Durante a internação, enfrentou picos hipertensivos, debilidade física acentuada, lesões por pressão e sinais iniciais de necrose nas extremidades dos pés. À época, não tinha plena consciência da gravidade do diagnóstico. A dimensão do episódio só se tornou clara após a alta hospitalar.

O retorno à empresa foi acompanhado de uma promoção aguardada havia anos. O reconhecimento profissional, entretanto, já não dialogava com as novas prioridades. A experiência hospitalar produziu uma revisão profunda sobre limites, saúde e propósito. A rotina exaustiva — marcada por longos deslocamentos, carga horária integral e estudos noturnos — passou a ser percebida como incompatível com a qualidade de vida que buscava preservar.

A mudança de direção, contudo, não surgiu de forma abrupta. Em 2018, ao vivenciar um relacionamento abusivo, Camila iniciou psicoterapia. O processo a levou ao contato com a hipnoterapia clínica e com estudos voltados à neurociência e atualização de memórias emocionais. O interesse pela área foi imediato, mas permaneceu em segundo plano enquanto consolidava a carreira corporativa.

Nascida em Osasco (SP) e filha primogênita, Camila descreve uma infância atravessada por senso precoce de responsabilidade. Tímida e introspectiva, enfrentou dificuldades de exposição social e, na vida adulta, repetiu padrões afetivos marcados por relações desiguais e manipuladoras. A compreensão desses ciclos, segundo relata, foi determinante para sua reorientação pessoal e profissional.

Camila é graduada em Gestão de Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialização em Design Instrucional e pós-graduação em Neurociências e Comportamento Humano. Atualmente, é graduanda em Psicologia. Após a internação, decidiu concluir as formações em hipnoterapia e investir na transição de carreira.

O início foi gradual. Conciliou o trabalho formal com atendimentos online no período noturno. Em 2025, passou a dedicar-se exclusivamente à hipnoterapia clínica. Soma mais de duas mil horas de atendimento e afirma atuar com metodologia fundamentada em evidências científicas, incluindo publicação em revista médica internacional.

Hoje, atende presencialmente em Osasco e também em formato remoto. O público predominante é composto por mulheres que buscam auxílio para lidar com ansiedade, depressão, dependência emocional, compulsão alimentar, fobias e traumas de infância, inclusive situações de abuso. Segundo a profissional, muitas pacientes chegam após percorrer diferentes abordagens terapêuticas sem compreender a origem de padrões recorrentes de comportamento.

A proposta clínica, de acordo com Camila, consiste em identificar memórias emocionais associadas a respostas automáticas e promover a ressignificação dessas experiências, sem exposição desnecessária ao sofrimento. Parte dos acompanhamentos, afirma, ocorre de forma integrada a outros profissionais de saúde, sobretudo em casos que envolvem uso de medicação.

A transição de carreira implicou riscos e enfrentou resistências. O primeiro público foi formado por conhecidos que confiaram no novo percurso profissional. Com o tempo, a atuação passou a ser ampliada por indicações e avaliações registradas em plataformas públicas.

A experiência de quase morte não é apresentada por Camila como narrativa de heroísmo, mas como um marco biográfico que exigiu reposicionamento. Entre a estabilidade corporativa e o exercício clínico, optou por um modelo de trabalho que considera mais coerente com sua trajetória e valores pessoais.

A decisão, segundo ela, não foi motivada apenas por vocação, mas pela compreensão de que saúde e propósito não podem ser adiados indefinidamente. A UTI funcionou como ponto de ruptura. O consultório tornou-se o novo eixo de sua atuação profissional.

Conheça mais da história de Camila acessando:

https://www.instagram.com/camilanunesbr